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quarta-feira, 3 de junho de 2026

CRÓNICA I   -    MEIA CRÓNICA COM SUSPIROS D'AMOR

 Do Porto com Amor e até talvez Ternura

No Porto aprendi a linguagem dos suspiros.

Foi numa tarde de névoa dourada, quando o Douro parecia guardar segredos antigos entre as margens, que o teu nome entrou em mim como entra a luz pelas janelas das igrejas: sem ruído, mas para ficar.

Desde então, caminho por estas ruas de pedra como quem atravessa um sonho. As varandas floridas inclinam-se sobre o tempo, os sinos dissolvem-se no ar, e cada esquina parece conservar a sombra delicada de um instante onde talvez tenhas passado.

Ó Amada longínqua, tão difícil e tão próxima do meu pensamento, és como a estrela que o viajante não alcança, mas que lhe ilumina o caminho. Não te possuo, nem te peço. Basta-me saber que existes algures entre o horizonte e a esperança.

Quando a tarde desce sobre os telhados vermelhos e o rio recolhe os últimos brilhos do céu, imagino-te. Vejo-te apenas com os olhos do desejo sereno, desses desejos que não ferem porque nasceram para contemplar.

E é então que o Porto se torna mais belo.

As águas suspiram o teu nome em silêncio. O vento que sobe das pontes traz-me a ilusão da tua voz. As luzes da outra margem acendem-se como pequenas promessas que ninguém fez, mas que o coração insiste em acreditar.

Se algum dia regressares a estas ruas, talvez nada aconteça. Talvez apenas o mesmo rio continue a correr, as mesmas gaivotas risquem o crepúsculo e a cidade conserve a sua tranquila indiferença.

Mas eu saberei.

Saberei que houve um tempo em que toda a ternura do mundo se reuniu num único sonho, e que esse sonho caminhou pelo Porto com o teu rosto.

E, por isso, cada pedra desta cidade me parece mais leve, cada tarde mais doce, cada horizonte mais vasto.

Porque algumas presenças não precisam chegar para permanecer.

Basta que sejam amadas.

Como tu.

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Ode à Distância, no Porto

Porto de névoa e sinos sonolentos, de ruas velhas conversando ao vento, guarda em teus muros brandos pensamentos que o meu amor te confiou, sedento.


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